A Base do Sucesso

"Acho que a base do sucesso em qualquer atividade está primeiro em se ter uma oportunidade que geralmente acontece não porque você cria o momento, mas sim porque alguém chega e abre uma porta" . (Ayrton Senna da Silva, Piloto Tri-Campeão Mundial de Fórmula-1).

domingo, 8 de julho de 2007

Fazer pré-temporada será que é válida para nossos clubes?

Todas as vezes que começa um campeonato para nossos clubes acirram-se os ânimos e o que se vêem por parte da imprensa e pessoas ligadas ao esporte é sempre a seguinte recomendação: “É preciso e importante primeiramente fazer a pré-temporada para poder ganhar conjunto e realizar um excelente campeonato”.

Vê-se que realmente os clubes se empenham através de seus dirigentes, comissão técnica e jogadores em realizar tal atividade, porém, fica a pergunta que já vi tanta gente fazer: colocar os clubes para fazer pré-temporada ajuda a corrigir os erros fazendo com que o time ganhe entrosamento e conjunto? Respondi afirmativamente a um colega que “Sim”, pois se na estréia o clube se der mal mesmo tendo feito pré-temporada, imagine se ele não a tivesse feito?

Hoje o futebol está muito nivelado, os clubes considerados pequenos evoluíram, seus dirigentes passaram a investir mais no plantel através do seu departamento de futebol e o que se tem é um campeonato equilibrado e de jogos difíceis. Para o torcedor, é claro, quer ver o seu time vencer logo na estréia, mas nem sempre os resultados são favoráveis.

Quando nossos clubes cometem muitos erros na estréia, vários fatores contribuem para que o time não renda o esperado. O nervosismo, a ansiedade, o famoso “frio na barriga” dos jogadores, a obrigação de não errar sob pena de perder a posição e ficar no banco, e é claro a qualidade técnica do adversário que está do outro lado também composto em campo de 11 jogadores em busca de um resultado positivo.

O campeonato brasileiro de 2007 para os nossos clubes paraenses já começou. O Remo na Série B amarga entre as tão sofridas quatro últimas posições da tabela, mas se souber ganhar de seus adversários dentro de casa para poder somar pontos, se livrará do rebaixamento. Já Tuna, Ananindeua e Paysandu buscam a ascensão disputando a Série C, a tão sofrida “Terceirona” como já ficou conhecida.

Seja em que divisão esteja, nossos clubes devem começar a mudar as mentalidades através de seus dirigentes. Dar importância ao planejamento e fazer cumpri-lo já é um ponto positivo para obtenção de melhores resultados. É enorme a rotatividade de jogadores no plantel de nossos clubes, a meu ver um dos fatores que contribuem para não obterem sucesso, pois além de onerar a folha de pagamento do time, pode-se vir a pecar por quantidade, ao invés de se buscar a qualidade.

Grandes técnicos já passaram por aqui, jogadores de nome nacional e até internacional também já fizeram parte do elenco de nossos clubes, mas mesmo assim parece que os nossos times “não decolam” como muitos dizem.

Lembro-me das décadas de 70 e 80 em que Remo e Paysandu eram respeitados quando os clubes aqui vinham jogar. Era um “Deus nos acuda” para os visitantes, pois, arrancar um empate já era considerado vitória e isso se dava por que naquela época os jogadores ficavam um tempo maior no clube facilitando o seu entrosamento com o resto do plantel.

O Remo tinha aquele time imbatível composto de Alcino, Dico, Dutra, Aranha, Hertz, e depois já na década de 80 com Bira, Mesquita, Aderson, o ponta-esquerda Júlio César, que em minha opinião, um dos melhores jogadores que o Remo já teve na posição e o lateral direito Aldo do Paysandu que o diga, e tantos outros jogadores que fizeram o nome do clube ser respeitado. Pelo lado do Paysandu, grandes jogadores como o goleiro Sérgio Gomes, Nad, Lineu, Chico Spina, Tuíca, Nilson Diabo, Marciano, Dário (O Dadá Maravilha), Lupercínio, Cabinho e depois a nova geração com Vandick, Marcão, Edil, Sandro, Iarley e tantos outros.

Mas porque esses jogadores fizeram história em nossos clubes paraenses? Será porque eram melhores tecnicamente que os jogadores atuais? Ou eram melhores remunerados? Acredito que não, mas sim porque passaram mais tempo jogando juntos. O time mantia por mais tempo esses profissionais em seu plantel, fazendo com que o entrosamento entre os jogadores melhorasse cada vez mais.

Mas as vitórias não acontecem somente por isso. Torna-se indispensável que o clube trace o seu planejamento de acordo com sua condição financeira. Às vezes, a diretoria para resolver os problemas do clube contrata um jogador muito caro e de renome nacional, e aí ele sozinho não vai render o que a torcida quer, porque futebol, na minha ignorância é conjunto e quanto mais tempo se joga junto, melhor a facilidade para se entrosar.

O Paysandu nos últimos tempos foi o maior exemplo disso tudo. Nunca na sua história de existência conseguiu tantos títulos numa única temporada, chegando inclusive a disputar uma competição internacional que foi a Copa Libertadores da América.

Mas não se vive de passado, dizem outros torcedores. Eu também concordo, mas é do passado que devemos tirar as lições para nos mostrar o que se deve ou não fazer para alcançar um determinado objetivo.

Os campeonatos nacionais já começaram. Que os nossos clubes possam brilhar cada um nas suas respectivas divisões, levando de novo o nome do nosso Pará ao reconhecimento Nacional e mostrar para alguns profissionais da imprensa do Sul que nossos times não são somente “uma nuvem passageira” como já foi dito em outras ocasiões.

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